Uma poética de alumbramento

sábado, março 03, 2012 Jussara Neves Rezende 13 Comments


Li de um só fôlego o Cais de Cítara, de Daniela Damaris. Li como se ouvisse música, embalada pelo ritmo dos versos, pela sonoridade construída com tanta habilidade que não se revela como construção, antes faz supor ter nascido naturalmente, como água, como brisa. Li sem prestar atenção ao conteúdo dos versos – a boa poesia tem esse efeito sobre mim: conquista-me pelos sentidos, pela musicalidade, pela delicadeza das rimas, das aliterações; pela disposição dos versos no branco da folha como desenhos mágicos. Ao final da leitura estava em suspenso, fora do mundo, em puro êxtase; há tempos não experimentava esse prazer que só a verdadeira poesia proporciona – aquela que é viva justamente por dialogar com os sentidos, com as entranhas do ser que somos, e que nasce eterna por isso mesmo: porque conversa com a nossa humanidade sedenta de beleza que mudança alguma no mundo consegue saciar.





Precisei respirar fundo antes de começar a ler de novo, desta vez com um respeito quase religioso, em busca agora do sentido, das imagens, dos temas, de todo o conteúdo que eu abstraíra em deslumbramento. Então ouvi Daniela falar de manhãs e aromas, de matizes e soslaios, de ouro e azul, seda e veludo, “plissados de nuvens” e “debruns de soutache”, numa imagética tão rica e tão elaborada e ao mesmo tempo de uma singeleza e simplicidade ímpares.
Impressionante é que a artista que manipula com tal maestria os versos é praticamente uma menina. Posso dizer isso, pois ela tem apenas 26 anos, a idade do meu filho. Mas como sabiamente observou Paulo Roberto do Carmo, que prefaciou a obra,

A poesia não se improvisa. É obra do tempo e do coração. Algumas pessoas já nascem com ela. E revelam que há outras realidades possíveis. E só vale quando causa estremecimento.



Daniela Damaris



Daniela por certo já nasceu com a poesia e é uma poesia tão viva e válida que realmente faz estremecer.
Para não tirar dos futuros leitores de Daniela o prazer das próprias descobertas, compartilharei apenas um poema, sem mais comentários, tão perfeito ele é:



lilases


em asas lilases
nos ares dos dias
eu bordo as horas
em fios de cetim

matizes de rimas
enfeitam os versos
e rendas de nácar
te guardam canção

em asas lilases
desvendo os espaços
com mãos de poema
e olhos florais

me perco em veredas
de vales castanhos
lilases da alma
em marfim e neon



Daniela Damaris vive em Porto Alegre-RS onde é mestranda em Teoria da Literatura na PUCRS; é professora, revisora de textos e participante ativa em saraus e outros eventos literários. Lançou-se com escritora com Lótus (2010), outro livro de poesia. Cais de Cítara é de 2011, publicação da Editora Pradense, de Porto Alegre.


Se quiser entrar em contato com a autora, acesse o link.






 
Abraço!


Comente, comente, comente... vou amar!





 




13 comentários:

  1. O deslizar das palavras tem o frescor das águas de um rio...Surpreendeu!
    Um final de semana cheio de alegrias prá vc...
    Bjs,Ana

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  2. Oi Ju,brigadinha pelas palavras.
    Veja agora os seguidores,eu acho que a net tava ruim e não consegui seguir-te.Mas agora acho que foi.
    Pode me avisar se deu certo?
    Bjuuuuuuu.

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  3. Olá Jussara!
    Acredito que a poesia já nasce em você... as vezes demora a ser descoberto e outras o poeta flui palavras naturalmente.
    Não conheço a Daniele, mas vou adorar ler...
    Beijinhos carregado de carinho.
    Uma semana cheia de paz, saúde e amor.
    Lorena Viana
    pequena-prendiz.blogspot.com

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  4. Ai Jussare, você inspira, sabe? Quero ser você quando crescer!
    Brigada pela visita, faz tanta diferença quando você comenta lá no blog! Amo!!
    Um abração!
    Dene

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  5. Uau !!
    E você falando tudo isso atiçou minha curiosidade... rsrsr
    E não sou de poesias, mas esse vou precisar ler !!!

    Bjus 1000 querida

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  6. Jussara, é a Vi, você também tem o dom de cativar as pessoas com o quê escreve, sabe colocar as palavras e dar vida a elas.
    Gostei do poema da Daniela.
    Muitos beijos,Vi

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  7. Meninas, queridas,
    obrigada por dividirem comigo essa emoção.
    Abraço!

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  8. Outra agradável surpres: poeta nova que você tão gentilmente nos apresenta! Lindo poema. Vou atrás dos demais. Abraços.

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  9. Sidnei - que bom que gostou da apresentação! Também amei esse poema! A Daniela ficará feliz em conhecer você. Abraço!

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