6 livros de poesia para ler no outono

6 livros de poesia para ler no outono

A tarde foi quente, mas agora (são 18h25) um brisa fresca entra pela janela de minha biblioteca, onde escrevo à escrivaninha. A porta francesa, à minha direita, está aberta e posso ver o céu se tingir com as nuances da noite. Entramos, definitivamente, no outono, minha estação preferida.

Nada de frio intenso, mas o frescor que permite conciliar leitura e chá com biscoitinhos amanteigados.  Nada de literatura densa agora, própria para ser feia sob mantas de crochê e acompanhadas de cappuccino com creme ou chocolate quente… No momento, só a leveza fresca da brisa que vem das montanhas, Vivaldi e muita poesia!

Compartilho com você os livros de poesia que comprei para ler durante essa estação tão charmosa:

 

HILDA HILST – DA POESIA (Companhia das Letras, 2017)

Volume que reúne, pela primeira vez, toda a obra poética de Hilda, que se dedicou à poesia ao longo de 45 anos. Nele, além de a ordem cronológica dos livros publicados ter sido mantida, há uma seleção de versões e esboços de poemas inéditos, além de algumas ilustrações da autora, o que permite ao leitor acompanhar de perto o processo criativo da poeta.

Hilda frequentemente inventava palavras e se indignava quando as pessoas pediam explicações sobre o que ela escrevia: “Fico besta de ver como as pessoas não entendem o que escrevi. Recuso-me a dar explicações. Falam coisas absurdas, que a minha obra não tem pontuação, não tem isso, não tem aquilo… Acho desagradável ter que falar sobre a minha obra, é muito difícil. Sei escrever.”

Eu já li vários livros da autora… e amo a sua poesia! Esta será, entretanto, a primeira vez em que lerei em ordem cronológica… toda (!) a poesia por ela produzida.

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WISLAWA SZYMBORSKA – POEMAS (Companhia das Letras, 2011)

Nelson Ascher observa que toda a produção poética da polonesa Wislawa Szymborska, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996, cabe num volume relativamente pequeno e pode ser lida em um ou dois dias, mas requer tempo para ser apreciada. Seus versos não são difíceis, mas também não são simples. São “lúcidos e acessíveis”, indagando a realidade hostil de uma geração que testemunhou a Segunda Guerra e o Holocausto.

Ascher diz ainda que a melhor poesia dos últimos cinquenta, talvez sessenta anos, foi escrita em polonês. Por Wislawa Szymborska.

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ELISA LUCINDA – VOZES GUARDADAS (Record – 2016)

“Penetrar no universo dos poemas de Elisa Lucinda” diz Regina Zappa, “exige estancar o tempo e a correria da vida para respirar a ventania (ou a brisa do outono), abraçar a lua, sorver o mar, amar o amor”. Neste livro a poeta recolhe as “vozes guardadas” e vem dividi-las com todos. “Faz delas nossas próprias vozes”, diz Zappa, e, “arrebatados por elas, nos despedimos dos versos no papel para acolhê-los na alma”.

 

RYANE LEÃO – TUDO NELA BRILHA E QUEIMA (Planeta – 2017)

Tudo nela brilha e queima é o livro de estreia da poeta e professora cuiabana, que vive em São Paulo e publica seus escritos na internet, além de recitar seus poemas nos saraus da cidade.

Seu trabalho focaliza a resistência da mulher e sua luta pelo fortalecimento através da arte e da educação.

“A poesia”, diz Ryane, “é a minha chance de ser eu mesma diante de um mundo que tanto me silencia. É minha vez de ser crua. Minha arma de combate”. Não é mesmo assim que se sentem os poetas, que normalmente são introvertidos e só soam articulados por escrito?

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AMANDA LOVELACE – A PRINCESA SALVA A SI MESMA NESTE LIVRO (Leya – 2017)

A autora é poeta e contadora de histórias e vive compartilhando suas palavras no café do seu bairro e nos blogs da vida. Ela vive em New Jersey, mas pode ser encontrada como “ladybookmad” no twitter, instagram e tumblr. Acredito que a melhor apresentação deste seu livro seja o poema “aviso I”, em que Amanda diz: “este livro não é/ um conto de fadas.// não há nenhuma/ princesa.// não há nenhuma/ donzela.// não há nenhuma/ rainha.// não há nenhuma/ torre.// não há/ dragões.// há apenas/ uma garota// diante da/ difícil tarefa// de aprender a/ acreditar// nela mesma. Não, não é tarefa fácil, mas para isso mesmo existe a poesia!

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MANOEL DE BARROS – POESIA COMPLETA (LEYA – 2013)

 Ler Manoel de Barros é um deslumbramento! O filólogo Antônio Houaiss afirma que “sob a aparência surrealista”, sua poesia “é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo”, razão para que tenha por sua obra “a mais alta admiração e muito amor”.

Para o poeta, a poesia esteve presente desde muito cedo no olhar do menino para as pessoas e coisas ao seu redor, o que, acredito, continuou a acontecer pela vida toda do poeta – sua maneira de estar consigo, como lembra Bianca Magela Melo, “com sua imaginação, suas leituras… seu ócio”.

 

A vida tem sido tão corrida e exigido tanto, que compartilho aqui meu projeto de outono na sincera esperança de que essa estação me permita – e a você também – momentos de ócio e poesia!

 

Beijo&Carinho,



6 thoughts on “6 livros de poesia para ler no outono”

  • Boa noite, Jussara!

    Que bom revê-la toda outonal!
    Que bom reencontrá-la entre a “leveza fresca da brisa das montanhas, Vivaldi (esse cara sim sabia o que era o outono) e muita poesia”! Enfim, você inteira assim.

    Suas dicas de leitura são ótimas. Você compôs um belo itinerário de “viagem” para esta estação. Talvez, se eu fosse você, incluiria uma passagem pelo Chile, em “Cem Sonetos de Amor”, de Pablo Neruda. Vejo você ali: “Pelas montanhas vais como vem a brisa”…

    Abraço,
    Roberto

    • O outono me inspira porque é poético, tal qual o “outono” de Vivaldi… Gostei da lembrança do Pablo Neruda (talvez seja mesmo o momento ideal para relê-lo)… acho que eu o tenho por aqui… Obrigada pelo seu sempre-carinho. Abraço!

  • Oi Jussara.
    Que escolhas maravilhosas.
    Dois destes livros estão na minha lista de querências.
    O livro da Elisa Lucinda e o da Ryane Leão.
    Pelo título eu escolheria o livro “a princesa salva a si mesmo neste livro”
    Boas leituras!

    AnaVi

    • Eu comecei pela “Princesa…”, Ana Vi, o próximo é o da Ryane. Outono não é a cara da poesia? Que bom que gostou das escolhas. Boas leituras para vc tb!

  • Grato pelas indicações!
    Desejo a você uma boa degustação de momentos e letras, com cheiro de chá e papel, e gosto de tranquila satisfação. Tudo isso com aquela brisa suave (que incentiva à preguiça) ofertada pelo outono.

    • Obrigada, Sylvio! O tempo está escasso… muito trabalho para pouco outono! Mas entre uma e outra coisa… alguns poemas, rs. Abraço!

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