“Os meninos da Rua Paulo” – valores universais

“Os meninos da Rua Paulo” – valores universais

O
que garante a universalidade e/ou a atemporalidade de uma obra? “O enfoque que
dá às questões humanas” seria uma boa resposta, uma vez que as emoções humanas
pertencem ao homem de sempre e de qualquer lugar do mundo.
As
questões metafísicas, portanto, e seus temas cruciais sobre a vida, valores, a existência
ou não de Deus, por exemplo, assim como os sentimentos de medo,  amor, esperança, etc. – que independentemente
dos avanços tecnológicos continuam a habitar a mente e o coração do homem –  costumam imprimir ao texto um caráter de
universalidade na medida em que refletem assuntos que não se prendem a um lugar
somente, nem a uma só época, podendo, desse modo, retratar simultaneamente o
ser humano de hoje e o de cem anos atrás.
Os meninos da Rua Paulo,
clássico do escritor húngaro Ferenc Molnár, parece ser um bom exemplo disso. Além
da qualidade literária da história dos meninos que defendem o “sagrado grund” – um terreno baldio em que costumam
jogar péla – é justamente o caráter universal da obra que lhe garante o enorme público
espalhado pelo mundo ao longo de vááááárias décadas.
A
novela juvenil gira em torno de uma batalha entre dois grupos rivais: os
garotos pertencentes à sociedade do Betume, que se reúnem no grund para as suas brincadeiras, e um
grupo de valentões que pretende se apropriar do terreno expulsando-os dali.
A
batalha, que tem por pano de fundo a Budapeste do início do século XX, levará
os meninos a vivenciarem valores, honra,  perda, amizade, união… de modo que o que
parece apenas uma brincadeira de criança transforma-se num acontecimento capaz
de amadurecer os meninos e prepará-los para a vida, o que faz com que a obra
não se prenda apenas ao público juvenil, podendo interessar também aos adultos,
especialmente aqueles que admiram Oliver Twist e Tom Sawyer. É ao lado desses
famosos personagens que se situa Ernesto Nemecsek, o “soldado raso” da batalha
entre os dois grupos, no ranking dos heróis
da literatura juvenil.
Com
mais de um milhão de leitores e oitocentas reimpressões só no Brasil, Os meninos da Rua Paulo é um best-seller que inspirou cineastas por
todo o mundo e gerou incontáveis adaptações para o teatro e recomendações de
leitura em sala de aula.
As
imagens utilizadas neste post
pertencem a Isabelle Fontrin. São fotografias de esculturas em bronze criadas
por Péter Szanyl. Em seu blog de
viagens “Lugares by Isabelle”, a autora explica que as esculturas se encontram
em frente à escola primária da Rua Práter, em Budapeste e representam, em
homenagem à novela mais famosa da literatura húngara, uma cena de Os meninos da Rua Paulo em que o grupo
rival observa os garotos da rua “Pál” a jogarem bolinhas de gude (jogo
inventado pelos húngaros).
O
conjunto de esculturas se harmoniza com o ambiente, explica Isabelle, sugerindo
perfeitamente o clima estudantil do início do século XX: além da “extraordinária
beleza”, homenageia os “sentimentos simples da vida” e, simultaneamente, revela
o “rigor científico da pesquisa do escultor”.
Beijo&Carinho,
Jussara


44 thoughts on ““Os meninos da Rua Paulo” – valores universais”

  • Boa noite, cara colega Jussara!
    Que bacana, vivendo, lendo e aprendendo, uai!
    Gostei de saber que os Húngaros que inventaram as bolinhas de gude. 🙂
    Ei, moça!
    Tem postagem novinha lá em "GAM Dolls (2)".
    Passe pra conferir. Ficarei feliz com sua visitinha e comentário, sempre tão gentis.
    Tenha um final de semana supimpa.
    Abração pra você! 🙂

    • As esculturas são mesmo um achado, Chica. O livro é juvenil, então não há que esperar dele grande aparato literário, mas os valores trabalhados são mesmo universais.

  • Vou querer ler.
    As esculturas são perfeitas. Vou mostrar pro marido… ele brincava de bolinha de gude.
    E eu digitando com um braço só, rsrsrs fui uma pata, caí de madura.
    bjus

  • Não conhecia a origem das bolinhas de gude, estou sempre aprendendo aqui, quanto ao livro, fiquei curiosa e vou recomendá-lo também a minha neta que é uma leitora compulsiva.
    Belíssimas esculturas e o olhar dos meninos impresso nelas é no mínimo comovente e apaixonante. Brincam ainda, porém absortos.

    Recebi seus livros, e estou me derretendo com a leitura, não tenho conhecimentos técnicos ou acadêmicos para fazer uma crítica elogiosa a sua altura, mas posso falar de emoção – da minha emoção ao te ler e principalmente de sua emoção ao escrever cada linha, que ficou transparente pra mim.
    Dois livros preciosos e estão me proporcionando momentos felizes ao contemplar as suas luas que se elevam e se escondem detrás dos montes de Minas Gerais.
    As ilustrações de Breve Lua são de uma doçura… – e a Capa do livro Minas de mim, achei super inteligente ao mesmo tempo que muito delicada. Além de pedras preciosas vou acrescentar uma porção de estrelas aos livros. Amei a dedicatória. Vou terminar de ler e guardar com muito carinho. obrigada.
    Desculpa se me estendi demais.bjs Bom domingo.

    • Você pode usar todo o espaço que quiser, Lourdinha. Sempre aprecio muito tudo o que você diz. E agora ainda falou sobre os meus livrinhos… estou aqui… rindo à toa!
      Abraço!

  • Olá Jussara!
    Que bonito! Tem carácter universal tudo o que possa dizer respeito ao homem independentemente das suas circunstâncias, como dizes, o que diz respeito ao "homem de sempre e de qualquer lugar do mundo". Já tinha ouvido falar d´Os Meninos da Rua Paulo e de seu autor, mas nem sabia de que tipo de obra se tratava… As esculturas são deliciosas, e nem imaginava também que as bolas de gude tivessem sido uma invenção húngara. Aqui são chamadas de berlindes.
    Uma postagem 5 estrelas, Jussara!
    Aprendo sempre muito por aqui. 😉
    xx

    • Obrigada, Laura! Também apreciei muito as esculturas e até passei a desejar conhecer Budapeste por causa delas, rs.
      Já havia encontrado referência a "brincadeira com berlindes" em algum romance português, mas não imaginava que eram as bolinhas de gude. Amei aprender! 🙂

    • Você está acostumada à Jane Austen, Vi, então é possível que estranhe o tom simples dessa obra tendo em vista o público para o qual foi escrita… mas estou certa de que irá gostar. Abraço!

  • Jussara,
    Não tive ainda a oportunidade de conhecer o livro ‘Os meninos da Rua Paulo’, do escritor húngaro Ferenc Molnár”. Depois desta sua bela postagem, certamente procurarei a obra. Parabéns.
    Uma boa semana.
    Abraços.

  • Oi Jussara,
    Não tinha lido nada a respeito deste livro, mas gostei do tema e vou procurar para ler. Gosto muito do "O Senhor das Moscas", que tem o mesmo tema, só que de maneira mais cruel.
    amei as esculturas também.
    Bjs

  • Estou a tentar visitar todos os seguidores do Peregrino E Servo, pois por uma acção do google meu perfil sumiu e estava a seguir o seu blog sem foto e agora tive de voltar a seguir, com outra foto. Aproveito para deixar um fraterno abraço e muita paz e saúde.
    António Jesus Batalha.

  • Ju, minha amiga, boa noite!

    Só agora eu vi o seu comentário no meu blog. Porém, independentemente disso, havia me proposto te fazer uma visita, tão logo entrasse na Internet, o que ocorreu ainda há pouco, rsrs. É que eu estava com saudades dos seus ótimos textos. E de você também, claro.
    Eu não conhecia esta obra, mas conheço o Oliver Twist e o Tom Sawyer, e gosto de ambos.
    Com certeza irei procurar ler este livro, que deve realmente ser muito bom. As esculturas também são lindas, símbolos concretos dos meninos da rua Paulo, rsrs.

    Um beijo

    • Pois é, Marly, apareci por lá também em virtude de saudade. Não sei o que está acontecendo com o tempo, sempre insuficiente! Ou somos nós que nos envolvemos com coisas demais?
      De todo modo, obrigada pelo elogio aos meus textos. Fico rindo à toa…
      Abraço!

    • Você não imagina o quanto fiquei curiosa com o seu quadro a ponto cruz! Deve ser lindo! Amo bordados e o tema também me interessa. Se por acaso um dia publicar uma fotografia dele me avise, sim?
      Abraço!

  • Não li o livro, mas fiquei com curiosidade. Acho lindo quando as cidades homenageiam desta forma os seus homens de letras.
    Mas para além das esculturas, Budapeste merece uma visita por muitos motivos. Aliás, está na minha longa e interminável lista…
    Beijinhos, uma linda semana
    Ruthia d'O Berço do Mundo

  • Pois é Ju, já tinha lido sínteses e recomendações sobre este livro e me passei, agora com sua bela postagem e ilustrações cresceu novamente a curiosidade pela leitura.
    Gostei da criação da esculturas e retratando outra arte a da escrita.
    Vamos lá.
    Grato amiga e meu terno abraço mineiro de flor.

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