“Os meninos da Rua Paulo” – valores universais

quarta-feira, março 30, 2016 Jussara Neves Rezende 44 Comments



O que garante a universalidade e/ou a atemporalidade de uma obra? “O enfoque que dá às questões humanas” seria uma boa resposta, uma vez que as emoções humanas pertencem ao homem de sempre e de qualquer lugar do mundo.


As questões metafísicas, portanto, e seus temas cruciais sobre a vida, valores, a existência ou não de Deus, por exemplo, assim como os sentimentos de medo,  amor, esperança, etc. – que independentemente dos avanços tecnológicos continuam a habitar a mente e o coração do homem –  costumam imprimir ao texto um caráter de universalidade na medida em que refletem assuntos que não se prendem a um lugar somente, nem a uma só época, podendo, desse modo, retratar simultaneamente o ser humano de hoje e o de cem anos atrás.


Os meninos da Rua Paulo, clássico do escritor húngaro Ferenc Molnár, parece ser um bom exemplo disso. Além da qualidade literária da história dos meninos que defendem o “sagrado grund” – um terreno baldio em que costumam jogar péla – é justamente o caráter universal da obra que lhe garante o enorme público espalhado pelo mundo ao longo de vááááárias décadas.
A novela juvenil gira em torno de uma batalha entre dois grupos rivais: os garotos pertencentes à sociedade do Betume, que se reúnem no grund para as suas brincadeiras, e um grupo de valentões que pretende se apropriar do terreno expulsando-os dali.
A batalha, que tem por pano de fundo a Budapeste do início do século XX, levará os meninos a vivenciarem valores, honra,  perda, amizade, união... de modo que o que parece apenas uma brincadeira de criança transforma-se num acontecimento capaz de amadurecer os meninos e prepará-los para a vida, o que faz com que a obra não se prenda apenas ao público juvenil, podendo interessar também aos adultos, especialmente aqueles que admiram Oliver Twist e Tom Sawyer. É ao lado desses famosos personagens que se situa Ernesto Nemecsek, o “soldado raso” da batalha entre os dois grupos, no ranking dos heróis da literatura juvenil.


Com mais de um milhão de leitores e oitocentas reimpressões só no Brasil, Os meninos da Rua Paulo é um best-seller que inspirou cineastas por todo o mundo e gerou incontáveis adaptações para o teatro e recomendações de leitura em sala de aula.


As imagens utilizadas neste post pertencem a Isabelle Fontrin. São fotografias de esculturas em bronze criadas por Péter Szanyl. Em seu blog de viagens “Lugares by Isabelle”, a autora explica que as esculturas se encontram em frente à escola primária da Rua Práter, em Budapeste e representam, em homenagem à novela mais famosa da literatura húngara, uma cena de Os meninos da Rua Paulo em que o grupo rival observa os garotos da rua “Pál” a jogarem bolinhas de gude (jogo inventado pelos húngaros).
O conjunto de esculturas se harmoniza com o ambiente, explica Isabelle, sugerindo perfeitamente o clima estudantil do início do século XX: além da “extraordinária beleza”, homenageia os “sentimentos simples da vida” e, simultaneamente, revela o “rigor científico da pesquisa do escultor”.



Beijo&Carinho,

Jussara


44 comentários:

  1. Ju,
    Não conhecia essa obra. Vivendo e aprendendo. Adorei a sua explicação sobre a atemporalidade de um livro. É bem isso mesmo. Amei as esculturas, bem reais. Boa dica de livro. Vou procurar para ler.
    Beijos
    Adriana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dri,nem em meus mais loucos sonhos jamais desejei conhecer Budapeste. Mas depois dessas esculturas... ahhh... comecei a desejar!

      Excluir
  2. Olá, Jussara.
    Já tinha ouvido falar do livro, embora nunca tenha lido.
    As esculturas são um primor.

    bj amg

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, Carmem, também achei! Foram um achado, um verdadeiro presente pra mim depois de terminada a leitura!

      Excluir
  3. Deu muita vontade de ler! E as imagens ficaram lindas ao lado de suas sempre doces palavras. Belo post! Te amo!
    Ângela :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Gostei das "sempre doces palavras". Mas você é suspeita, filhinha. Também te amo!

      Excluir
  4. Boa noite, cara colega Jussara!
    Que bacana, vivendo, lendo e aprendendo, uai!
    Gostei de saber que os Húngaros que inventaram as bolinhas de gude. :)
    Ei, moça!
    Tem postagem novinha lá em "GAM Dolls (2)".
    Passe pra conferir. Ficarei feliz com sua visitinha e comentário, sempre tão gentis.
    Tenha um final de semana supimpa.
    Abração pra você! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vou sim, Gam. Também achei bacana saber sobre as bolinhas de gude. Quando menina eu brinquei muito com elas, rs

      Excluir
  5. Só pelas esculturas já adorei o post e ainda essa informação sobre o livro, que deve ser maravilhoso, acrescentou... Lindo fds! bjs, chica

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As esculturas são mesmo um achado, Chica. O livro é juvenil, então não há que esperar dele grande aparato literário, mas os valores trabalhados são mesmo universais.

      Excluir
  6. Olá Jussara
    É uma arte muito intensa e que remete
    á anos ourados de escola que nos deixa saudades.
    bjs e bfs

    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você tem razão, Simone, principalmente se pensarmos no caos em que está submersa a educação hoje em dia! :/
      Abraço!

      Excluir
  7. Vou querer ler.
    As esculturas são perfeitas. Vou mostrar pro marido... ele brincava de bolinha de gude.
    E eu digitando com um braço só, rsrsrs fui uma pata, caí de madura.
    bjus

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Judiação... :/
      Espero que se recupere completamente, o mais breve possível!
      Abraço!

      Excluir
  8. Não conhecia a origem das bolinhas de gude, estou sempre aprendendo aqui, quanto ao livro, fiquei curiosa e vou recomendá-lo também a minha neta que é uma leitora compulsiva.
    Belíssimas esculturas e o olhar dos meninos impresso nelas é no mínimo comovente e apaixonante. Brincam ainda, porém absortos.

    Recebi seus livros, e estou me derretendo com a leitura, não tenho conhecimentos técnicos ou acadêmicos para fazer uma crítica elogiosa a sua altura, mas posso falar de emoção - da minha emoção ao te ler e principalmente de sua emoção ao escrever cada linha, que ficou transparente pra mim.
    Dois livros preciosos e estão me proporcionando momentos felizes ao contemplar as suas luas que se elevam e se escondem detrás dos montes de Minas Gerais.
    As ilustrações de Breve Lua são de uma doçura... - e a Capa do livro Minas de mim, achei super inteligente ao mesmo tempo que muito delicada. Além de pedras preciosas vou acrescentar uma porção de estrelas aos livros. Amei a dedicatória. Vou terminar de ler e guardar com muito carinho. obrigada.
    Desculpa se me estendi demais.bjs Bom domingo.


    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você pode usar todo o espaço que quiser, Lourdinha. Sempre aprecio muito tudo o que você diz. E agora ainda falou sobre os meus livrinhos... estou aqui... rindo à toa!
      Abraço!

      Excluir
  9. Jussara, não conhecia a obra. Obrigada por depertares a minha curiosidade.
    Beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico feliz que tenha conseguido isso, Nina, pois sei que você é uma ótima leitora!
      :)

      Excluir
  10. Jussara , vir ao seu espaço , já o disse outras vezes , é sempre prazeroso . Você nos ensina e nos encanta . Obrigada pela belíssima partilha desta publicação . Beijos e boa semana .

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Marisa! Mas então estamos quites, pois eu sempre descubro em seu espaço poemas que me encantam e que desconhecia.
      Abraço!

      Excluir
  11. Olá Jussara!
    Que bonito! Tem carácter universal tudo o que possa dizer respeito ao homem independentemente das suas circunstâncias, como dizes, o que diz respeito ao "homem de sempre e de qualquer lugar do mundo". Já tinha ouvido falar d´Os Meninos da Rua Paulo e de seu autor, mas nem sabia de que tipo de obra se tratava... As esculturas são deliciosas, e nem imaginava também que as bolas de gude tivessem sido uma invenção húngara. Aqui são chamadas de berlindes.
    Uma postagem 5 estrelas, Jussara!
    Aprendo sempre muito por aqui. ;-)
    xx

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Laura! Também apreciei muito as esculturas e até passei a desejar conhecer Budapeste por causa delas, rs.
      Já havia encontrado referência a "brincadeira com berlindes" em algum romance português, mas não imaginava que eram as bolinhas de gude. Amei aprender! :)

      Excluir
  12. Oi Jussara, é a Vi, você escrevendo sobre o livro e mais essas esculturas fizeram eu ficar com vontade de ler esse livro..vou procurar.
    Muitos beijos,Vi

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você está acostumada à Jane Austen, Vi, então é possível que estranhe o tom simples dessa obra tendo em vista o público para o qual foi escrita... mas estou certa de que irá gostar. Abraço!

      Excluir
  13. Jussara,
    Não tive ainda a oportunidade de conhecer o livro ‘Os meninos da Rua Paulo’, do escritor húngaro Ferenc Molnár”. Depois desta sua bela postagem, certamente procurarei a obra. Parabéns.
    Uma boa semana.
    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Pedro! Fico muito feliz por ter conseguido despertar seu interesse. Muito bom tê-lo aqui.
      Abraço!

      Excluir
  14. OI Jussara!
    Comprei este livro mês passado e está na minha lista para as leituras deste ano.
    Adorei o post e as esculturas!
    Bjks mil

    www.blogdaclauo.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha que coincidência, Cláudia, você comprar o livro e eu vir falar sobre ele! Fico feliz por ter aguçado seu interesse pela leitura. Abraço!

      Excluir
  15. Oi Jussara,
    Não tinha lido nada a respeito deste livro, mas gostei do tema e vou procurar para ler. Gosto muito do "O Senhor das Moscas", que tem o mesmo tema, só que de maneira mais cruel.
    amei as esculturas também.
    Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não li "O Senhor das Moscas", Betty. Vou anotar para "futuras investigações", rs.
      Abraço!

      Excluir
  16. Estou a tentar visitar todos os seguidores do Peregrino E Servo, pois por uma acção do google meu perfil sumiu e estava a seguir o seu blog sem foto e agora tive de voltar a seguir, com outra foto. Aproveito para deixar um fraterno abraço e muita paz e saúde.
    António Jesus Batalha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico feliz que esteja de volta, Antônio. Muito bom tê-lo aqui.
      Abraço!

      Excluir
  17. Ju, minha amiga, boa noite!

    Só agora eu vi o seu comentário no meu blog. Porém, independentemente disso, havia me proposto te fazer uma visita, tão logo entrasse na Internet, o que ocorreu ainda há pouco, rsrs. É que eu estava com saudades dos seus ótimos textos. E de você também, claro.
    Eu não conhecia esta obra, mas conheço o Oliver Twist e o Tom Sawyer, e gosto de ambos.
    Com certeza irei procurar ler este livro, que deve realmente ser muito bom. As esculturas também são lindas, símbolos concretos dos meninos da rua Paulo, rsrs.

    Um beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Marly, apareci por lá também em virtude de saudade. Não sei o que está acontecendo com o tempo, sempre insuficiente! Ou somos nós que nos envolvemos com coisas demais?
      De todo modo, obrigada pelo elogio aos meus textos. Fico rindo à toa...
      Abraço!

      Excluir
  18. Não conheço o livro, mas gostei muito das esculturas. Tenho um quadro bordado a ponto cruz com meninos de rua comendo melancia e jogando ao berlinde.
    Beijinho e boa semana.
    Pinta

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você não imagina o quanto fiquei curiosa com o seu quadro a ponto cruz! Deve ser lindo! Amo bordados e o tema também me interessa. Se por acaso um dia publicar uma fotografia dele me avise, sim?
      Abraço!

      Excluir
  19. Não li o livro, mas fiquei com curiosidade. Acho lindo quando as cidades homenageiam desta forma os seus homens de letras.
    Mas para além das esculturas, Budapeste merece uma visita por muitos motivos. Aliás, está na minha longa e interminável lista...
    Beijinhos, uma linda semana
    Ruthia d'O Berço do Mundo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também acho linda essas homenagens feitas aos homens de letras e/ou aos seus personagens. Sempre sinto vontade de conhecer essas cidades...
      Abraço!

      Excluir
  20. Pois é Ju, já tinha lido sínteses e recomendações sobre este livro e me passei, agora com sua bela postagem e ilustrações cresceu novamente a curiosidade pela leitura.
    Gostei da criação da esculturas e retratando outra arte a da escrita.
    Vamos lá.
    Grato amiga e meu terno abraço mineiro de flor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nunca havia pensado em visitar Budapeste, Toninho, mas depois dessas esculturas... comecei a cogitar, rs

      Excluir
  21. Amei as esculturas, Jussara!
    Como é bom aprender, não sabia que as bolinhas de gude foram inventadas pelos húngaros, já anotei para ler o livro.
    Feliz e abençoada semana, abraços carinhosos
    Maria Teresa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Maria Teresa, também achei bastante curioso!
      Abraço, obrigada pela leitura!

      Excluir
  22. Gostei da dica literária e das belas esculturas!
    Arte(s) na vida para elevar o espírito...

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita e pelo comentário :)
Volte sempre!