Na ponta do lápis

Na ponta do lápis

Dizem
que todo escritor padece da “Síndrome da folha em branco” – uma angustiante
dificuldade ao iniciar um novo texto como se se sentisse incapaz de escrevê-lo.
Não
estou certa de que todos que escrevem passam por isso, mas posso garantir que
sofro desse mal. Depois de iniciado o texto flui!… é até difícil colocar ponto
final, tantas são as frases oportunas que ocorrem desejosas de serem usadas. O
primeiro parágrafo, entretanto, a primeira linha… como são difíceis de obter!
Além
dessa síndrome, padeci por longo tempo da incapacidade de escrever ao computador:
eu precisava de papel, lápis e borracha, de riscar, apagar, reescrever e
escrever de novo. Era assim que preparava meus projetos, relatórios, resenhas,
seminários e monografias. Foi assim que escrevi minha dissertação e minha tese.
Depois de escrito a lápis eu digitava; era o momento de reescrever alguma frase,
de mudar outra de lugar, de revisar algum erro. Caso me sentasse ao computador,
entretanto, pretendendo que dali saísse um capítulo da tese, frustrava-me
duplamente, pois a “Síndrome da folha em branco” era elevada ao quadrado.
Graças
a Deus curei-me desse mal ao adquirir meu notebook,
pois posso usá-lo no colo, como fazia no tempo do papel e do lápis, como
Clarice Lispector fazia com sua máquina de escrever.
Ainda
sinto alguma dificuldade ao iniciar um texto, mas um de meus propósitos ao
criar o “Minas de mim” foi justamente exercitar a escrita e creio, com isso, ter diminuído
os efeitos da tal síndrome.
Lápis,
agora, só para os momentos em que decido desenhar, o que acontece com pouca
frequência, muito embora (sem nenhuma técnica, só uma pitadinha de dom) eu
goste de fazê-lo.
Toda
essa minha relação com o lápis ocorreu-me ao receber as imagens que abaixo
compartilho. Enviadas por uma amiga, num documento zipado, as fotos chegaram-me
sem créditos atribuídos ao fotógrafo ou ao escultor. A terceira imagem, entretanto, informa que este artista bárbaro se chama “Dalton”. Descobri pelo Google que ele é brasileiro, vive em Connecticut, E.U.A., e seu sobrenome é Ghetti. Ao invés de se
preocupar com a folha em branco, há mais de vinte e cinco anos Dalton Ghetti utiliza o lápis para outra arte: a escultura. Na
ponta do lápis – literalmente – ele esculpe pequeninas joias de grafite e
beleza:

  
  
  
A
arte frequentemente me tira o fôlego… Você também se sente assim?
Comente,
comente, comente… vou amar!

Beijo&Carinho,
Jussara


12 thoughts on “Na ponta do lápis”

  • Ju
    Tive essa síndrome ha alguns anos atras, com a chegada do lap top também curei.Por outro lado, confesso que esta difícil escrever o tempo todo, atualizar o blog com novidades… E assim de tempos em tempos caio no vácuo.Saudades de pegar um lápis e um papel nénão?
    bj yvone

  • MENINA DO CÉU… QUE ESCULTOU ÍMPAR E SINGULAR ESTE!! ADOREI AS OBRAS, UAU!!
    MUITO OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS TÃO GENTIS EM MEUS BLOGS, CONTERRÂNEA!!
    CÊ É SEMPRE MUITO GENTE BOA, VALEU!! 🙂
    QUANTO À SÍNDROME DA FOLHA EM BRANCO, TAMBÉM TENHO… COMO COMEÇO A ESCREVER, NÃO SOSSEGO ATÉ QUE VEJA O TEXTO CONCLUÍDO… KKK
    REALMENTE, DEPOIS QUE A GENTE INICIA, ELE FLUI… É BEM LEGAL.
    TENHA UM LINDO FINAL DE SEMANA, COLEGA JUSSARA!!
    ABRAÇÃO PROCÊ E INTÉ MAIS VÊ!!

  • Oi Jussara. Como amei este post, menina! Vc tem um jeito de escrever que me encanta. Parabéns!
    Também tenho esta síndrome, acho que qualquer pessoa teve, tem ou terá. Também só sei escrever rabiscando com lápis, apagando, refazendo. Se for digitar, não sai nada, trava mesmo. Apenas pequenos textos consigo digitar.
    Sobre os trabalhos deste escultor, fiquei sem palavras….é surpreendente, fenomenal!
    Beijos.

    Isabel Ramalho

  • Oi, Ju,

    Eu também tinha a maior dificuldade de escrever texto pessoal no computador, rsrs. Isso não deixa de ser contraditório, já que no PC as correções são mais fáceis, né? rsrs.
    A obra deste artista é um espanto, é preciso ter mão super delicadas e muita paciência, para fazer este tipo de arte, rsrs.

    Beijo e – desde já – bom fim de semana

    P.S: Tinha me esquecido de falar, no último post: caso você ainda pense em fazer os "cubinhos" de açúcar, uma saída (graciosa e original, aliás) é modelar o açúcar em forminhas para pequenos bombons (forminhas para chocolate).

  • Oi Jussara, é a Vi, tenho dificuldade em começar escrever, colocar no papel meus pensamentos, expressar exatamente o quê eu desejo, mas descobri que por mais que eu tente, sempre vai surgir interpretações diferentes para aquilo que escrevemos, por mais que tentemos fazer colocações corretas.
    Quanto a arte no grafite, fiquei em êxtase, tem pessoas que tem um dom espetacular
    muitos beijos,Vi

  • Nossa Jussara, que trabalho emocionante!!! adorei o seu texto também, eu tive este problema na transição de projeto de prancheta para projeto no computador… no início eu tinha que conceber no papel para depois passar para o computador, mas com o tempo acabei me acostumando a projetar direto no computador. Grande abraço!!!!
    http://www.arquitrecos.com

  • Você consegue escrever sobre as angústias da folha em branco, sem que seu texto se torne angustiante. Eu tento seguir a dica preciosa dos cronistas natos: começo pelo meio…rs. Mas meu problema maior é encerrá-los, pois nunca acho que está pronto. Li uma entrevista com Humberto Werneck em que ele conta que perguntou a João Cabral de Melo Neto como ele sabia quando o poema estava pronto e ele respondeu que se 'ouve um clique como se um estojo fechasse'. Meus textos são silenciosos, o estojo deve se fechar com velcro…rsrs.
    Adorei as esculturas no grafite!

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