“Uma coleção de coruuujas?!”

“Uma coleção de coruuujas?!”
Um tio meu, comentando o consumismo irrefletido de grande parte da população (por ele ninguém compraria nada), fez o seguinte comentário:
– Você imagina que uma amiga da Lúcia (a esposa) tem uma coleção de coruuujas?! – e enfatizou o “u” a fim de demonstrar o quanto se espantava com o absurdo da situação.
Eu ri, sem graça. Poderia ter deixado por isso mesmo, concordado com ele e não ter dito mais nada, mas um sentimento de solidariedade para com a colecionadora desconhecida me fez revelar:
– Mas, tio, eu também tenho uma.

– Uma coruja? – ele indagou, certo da minha loucura.
– Não… uma coleção delas… – eu contei, sem graça.

A conversa meio que acabou por ali, com ele a resmungar alguma coisa sobre o mundo estar perdido, sobre ninguém ter nada na cabeça, qualquer coisa assim, mas sempre que uma nova corujinha vem agregar-se à coleção lembro-me desse diálogo. Ultimamente lembro-me da conversa mesmo sem corujas novas, pois uma verdadeira “Síndrome das Corujinhas” tem atacado a população. Elas estão espalhadas em acessórios de moda ou de decoração – viraram pingente, chinelo, estampa de camiseta, bolsa, almofada, abajur, cortina, quadro, papel de presente, de parede, edredom…

Na cama da filha…
… e no chinelo dela

Percebi a “síndrome” com certo espanto alegre. Espanto por ver que as aves, tidas até pouco tempo com símbolos de mau agouro, estão agora na moda. Alegre por vê-las – coloridas – dominarem o cenário e se tornarem acessíveis ao meu desejo. Amo as corujinhas por simbolizarem a sabedoria, o pensamento filosófico e racional. Não sem razão era a ave companheira de Atena (Minerva, para os romanos), deusa grega da sabedoria.

Jean Chevalier e Alain Gheerbrant explicam em seu Dicionário de símbolos (Rio de Janeiro: José Olympio, 1995) que em razão de a coruja não suportar a luz do sol e viver uma vida noturna, relaciona-se à lua. Uma vez que a claridade lunar é reflexo da luz do sol, o conhecimento por ela representado é também indireto, reflexivo, racional; justo o contrário da luz solar que é direta e retrata o conhecimento natural, intuitivo.
Embora bastante intuitiva, atraiu-me desde sempre o amor pelo conhecimento; por isso as corujinhas.
Desocupei uma das prateleiras de uma de minhas estantes de livros e coloquei ali a coleção:
A imagem não está muito boa, mas dá para notar que são corujas de diversas procedências, sempre pequeninas, porque tenho mania de miniaturas
É uma coleção pequena, mas não tem pressa de crescer. Vai se formando aos poucos em viagens, ao acaso. A coruja no centro da fotografia acima é de tecido e foi feita pela minha mãe.
Na fotografia abaixo a corujinha é de metal e foi trazida pela minha filha de uma de suas viagens:
Esta é uma coruja que vale por duas. De um lado, azul e verde…
… do outro, caramelo e rosa. Última aquisição para o nicho na estante
A coruja abaixo não está na estante por motivos óbvios. Minha mãe – toda cheia de segredos – cortou, costurou e bordou a almofadinha na semana passada. Agora é minha. Mais um dos objetos que amo!
Ela não é linda?
Abraço! Até depois!


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