Livro, amor para sempre

Livro, amor para sempre
Numa época em que somos bombardeados por imagens e informações novas a cada segundo, em que aparelhos cada vez mais sofisticados ocupam nas estantes lugares antes reservados aos livros, pode parecer incongruente que livros continuem a ser escritos e publicados. Não é.

 
Ainda que o aparecimento do e-book possa ter inicialmente assustado editores e amantes da leitura, hoje ninguém mais crê que o livro tradicional esteja ameaçado por uma versão eletrônica. Ao contrário, parece que a Internet tem funcionado como divulgadora do livro e a possibilidade de adquiri-los através dela é uma alegria para quem – como eu – vive longe das grandes livrarias.

 

Martin Claret, editor, considera que mais do que um simples produto industrial “o livro é uma das mais revolucionárias invenções do homem”. De fato, antes mesmo que o homem pensasse em utilizar determinados materiais para escrever, como fibras vegetais e tecidos, as bibliotecas da Antiguidade estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de barro cozido.

 
Com as progressivas alterações em sua fabricação, o livro tornou possível, em todas as épocas a transmissão de fatos, acontecimentos históricos, descobertas e códigos. Mais que isso, entretanto, o livro tem o poder de proporcionar indescritível prazer em suas páginas, muitas vezes cheias de magia, que lançam a imaginação do leitor nos mais arrebatados voos.

 
O livro possibilita o contato com a experiência de pessoas mais cultas, mais vividas, de outra cultura, outra época e outra raça, sem a necessidade de sua presença física, assim como torna possível o conhecimento de situações que podemos viver ou não viver jamais, mas que, conhecidas, abrem novas perspectivas, ampliam os horizontes de nossas ideias, ajudam a entender o que se passa conosco e com isso nos preparam para lidar com os grandes e pequenos problemas da vida.

 

Machado de Assis chega a dizer que mesmo a leitura de um livro omisso, fraco, sem grande conteúdo artístico, é proveitosa se nos desperta para a navegação de nossos oceanos interiores: 
Quando leio algum dessa outra casta, não me aflijo nunca – diz o escritor – O que faço, em chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as coisas que não achei nele. Quantas ideias finas me acodem então! Que reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não vi nas páginas lidas, todos me aparecem agora com suas águas, as suas árvores, os seus altares; e os generais sacam das espadas que tinham ficado na bainha, e os clarins soltam as notas que dormiam no metal, e tudo marcha com uma alma imprevista.
Além de divertir, fazer companhia e nos tornar pessoas mais interessantes, capazes de sustentar uma conversação sobre os assuntos mais diversos, o livro acaba muitas vezes alterando os rumos de uma vida. Bruno Bettelheim, renomado psicanalista e educador austríaco, especialista em psicologia infantil, pouco antes de morrer revelou que sua vida foi o “resultado” dos livros que leu. Segundo ele, mais que influenciar, alguns livros chegaram a determinar sua carreira profissional e muitos dos seus caminhos.

 

Esses motivos todos explicam a certeza das pessoas que se dedicam à leitura e à escrita, como Affonso Romano de Sant’Anna, de que “o livro não acabará”. Se acontecer, diz o escritor, “será só daqui a 8 bilhões de anos, quando todo o sistema solar explodir”, ou quando, segundo o editor Marcus Gasparian, a transmissão de conhecimentos passar a ser “administrada por meio de pílulas” a uma sociedade “muito menos crítica e muito mais triste”.

 
Imagens: Google
Comentem, comentem, comentem. Vou amar!
Abraço!


29 thoughts on “Livro, amor para sempre”

  • Dentre as muitas coisas boas que você me ensinou, o amor pelo livro é uma delas!
    E como você, eu amo muito o LIVRO em si mesmo… amo ter VÁRIOS (rs) mesmo que não leia tão assiduamente como você..
    Mas quando leio – e me apaixono – sou igual disse Machado de Assis aí no trecho que você colocou..
    Fico horas e horas pensando no que li.. nas coisas que aconteceram ou não.. muito bom!
    Acho que as pessoas que deixam de comprar os livros "de verdade" porque tem acesso a e-books, etc, nunca gostaram mesmo de um livro de verdade!!!

  • Ju, eu amo livros,apesar que ultimanente tenho me dedicado pouco à leitura.
    Eu compro enciclopédias para meus filhos,nada subistituí um folhear de páginas,fora o que tem de informação errada na net.
    Aqui tem muitas lojas de segunda mão,que vendem de tudo,incluso livros e adoro passar por lá.
    Tive um professor no primário que sempre repetia "Quem não lê, mal fala,mal ouve e mal vê".
    O Daniel agora descobriu Dom Quixote e Mio Cid e está encantado. A Maria,que agora está sendo alfabetizada,leio sempre um conto pela noite. Enfim, livro é livro,né? Besitos e tenha uma linda semana

  • Mi, que delícia receber seu comentário!
    Concordo com vc sobre as informações erradas que circulam pela web. Recebo muitos pps com textos atribuídos ao Fernando Pessoa, ou a Clarice Lispector, por exemplo, mas que não são de autoria deles de modo algum. E as pessoas não sabem e repassam como se fosse a mais sagrada verdade. Por isso me alegra que o seu Daniel já esteja interessado no D. Quixote e no Mio Cid e que a Maria ouça a leitura de contos antes de dormir: isto é ótimo! Conquistar leitores ainda crianças é uma dádiva, pois como diria o seu professor, "quem não lê, mal fala, mal ouve e mal vê".
    Ahhh… atrás de seu jeito gostoso de escrever eu sabia que devia existir uma leitora!
    Abração e o desejo de uma semana linda!

  • Nada substituiu o prazer de abrir um livro pela primeira vez. A gente vai descobrindo aos poucos, recebendo as primeiras informações e sem perceber somos envolvidos pelos personagens em um abraço de carinho, satisfação, alegria e emoção. Uma boa semana (de leitura) para você.

  • Bom dia, Jussara!

    Eu adoro livros e morro de ciumes dos meus. Não gosto que mexam neles de jeito nenhum. tbm acredito que livros não vão acabar, pois é melhor lermos um livro do que uma tela. Eu pelo menos acho isso.

    Ótima semana pra vc!
    Beijossss

  • Sem dúvida alguma, o livro nos faz viajar. Seu conteúdo nos transmite amor, alegria, tristeza, dúvida. Lembro que li a maioria dos ramances de Agatha Cristie e Monsieur Hercule Poirot, seu mais famoso detetive, me levou para o Cairo, Tunísia; me fez vivenciar escavações arqueológicas; conhecer roteiros marítimos; com ele bisbilhoitei a vidas de inúmeros persoangens saídos das cidadezinhas do interior de uma Inglaterra quase que vitoriana. Então livro é isso: é dar asas aos leitores e, junto com eles, voar, voar rumo ao conhecimento, respirar novos ares e culturas.

  • Dentre as muitas coisas que vc me ensinou uma delas foi apreciar um bom livro ou me adentrar no sentimentalismo de uma belo poema… estou curtindo muito seu blog! Abraços

  • Oi Jussara!
    Se tem uma coisa que amo são os livros.
    Sempre com uma palavra amiga, uma história envolvente, muitos ensinamentos.
    Sou leitora voraz. Não de todos os gêneros,claro. Mas gosto de uma história bem contada, de histórias para aprender e para aquecer o coração.
    Gosto de sentir o livro, de ter o objeto nas mãos. Não me adaptei muito aos e-books não.
    Mas gosto muito da facilidade de comprá-los pela internet também.
    Um beijo

  • Esses dias minha filha de 13 anos, que é leitora assídua, pegou um marcador de livros e leu "Dicas para formar um leitor". Depois me disse admirada: "Mâe, você fez tudo isso" e eu me enchi de orgulho de meu trabalho que vejo que está se concluindo.

  • Oi, Jussara,

    Eu também sou uma amante de livros. A tal ponto, que não gosto de me desfazer de nenhum; sequer dos que já li mais de uma vez, rsrs.
    E também não acredito que o livro de papel, que conhecemos e amamos, venha a ser amplamente substitúido por outra coisa qualquer. Eu, pelo menos, continuo preferindo o livro tradicional, apesar de já ter sido até confrontada com a questão do espaço que um aparelhinho como o kindle me pouparia, rsrs.

    Beijoca e boa noite.

  • Olá,Jussara!
    Que delícia chegar até aqui e te encontar à volta dos queridos livros e de todas as viagens que fazemos através deles… Esses nossos amados companheiros, nesta incrível jornada da vida! Para mim,desde cedo, eles sempre foram figuras encantadas, como pequenos "portais mágicos", onde a minha alma mergulha em mil aventuras e romances sem fim…
    E depois de tantos anos entre livros, e envolvida por essa paixão arrebatadora pela palavra escrita, só posso dizer que não consigo imaginar a nossa humanidade sem eles… Seria o mesmo que tirar o sal do mar, ou tirar o doce do sabor do mel… Sei que tudo beira à um exagero poético, mas acho que a humanidade de hoje sem livros é quase uma humanidade sem alma!
    Aproveito para te parabenizar por este teu blog tão lindo,especial e acolhedor…Uma bela surpresa nestes incríveis caminhos pela internet! E te agradeço também pela tua visita tão gentil e carinhosa lá no meu singelo bloguinho… Saiba que foi como um verdadeiro afago de carinho no meu coração!
    Sinta-se sempre muito bem vinda lá no meu cantinho, e apareça sempre que puder!
    Te envio daqui o meu grande abraço carioca e carinhoso!!!
    Teresa
    (do blog "Se essa lua fosse minha")

  • Silmara, imagino a sensação de orgulho que te invadiu. Delícia ter uma filha leitora, delícia também ver o resultado do seu trabalho. Lindo isso!
    Que bom que você deixou o link para os títulos dos livros do Itaú Social. Eu escrevi, recebi e presenteei meu sobrinho com eles. Estou certa de que alguma mãe com filhos pequenos vai aproveitar a sua dica.
    Abraço!

  • Teresa, gostei muito da associação que vc faz em seu comentário entre os livros e os "portais mágicos". Que ótimo! Os livros são mesmo portais para a magia, para o desconhecido, para o novo! Amo isto!
    Amei tb vc dizer que meu blog foi para vc "uma bela surpresa nestes incríveis caminhos pela internet". Que lindo! Amei, amei, amei!
    Volte seemmmpre. Será sempre um prezer tê-la aqui!

  • Aproveitador que sou, ocupo este espaço para agradecê-la por ter (re)colocado a Zélia em minha vida. E, também, para me desculpar pelos esbarrões que venho tendo nesse teclado que é novo para mim (meu primeiro notebook). O pensamento é mais rápido que as teclas, daí as letras engolidas. O pc não me entende muito bem. Mas eu vou tentando entendê-lo. Além do que, faço vistas grossas para o "novo acordo ortográfico" (inútil, a meu ver) e vou seguindo a vida: Poetando.

  • Também acho esse acordo um desacordo, Sidnei. Eu não dou a mínima para ele, pois os portugueses o ignoram e continuam a grafar "contacto",etc…
    Qto á Zélia, não sei se sou a responsável, mas é curioso que em tantos anos trabalhando juntas, nunca estive tão próxima dela quanto nesse último ano através da internet…
    Abraço!

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