Síndrome da Galinha d’Angola

Síndrome da Galinha d’Angola
Ao utilizar este título para o meu post de hoje, penso inicialmente na verdadeira “síndrome” que da noite para o dia fez aparecer milhares de galinhas artesanais pintadinhas, cujas funções vão desde peso para porta até função alguma, ou seja, a gratuidade do prazer: existir apenas para decorar e/ou fazer sorrir. Gosto demais de objetos cuja função é nenhuma, mas de cuja posse nossa felicidade parece depender. Então, garantida a posse, olhar para eles é uma continua alegria. Trazidas pela minha filha de uma ou outra de suas viagens – ela está sempre a viajar – pequenas Galinhas d’Angola – de cerâmica, de gesso – se reúnem em cima de minha geladeira numa reunião festiva. Parece festiva para elas. Para mim certamente é.

Penso, ainda, ao escolher o título, na Thalita Carvalho, do “Casa de Colorir” que num post de ANTES e DEPOIS, mostra a recuperação de uma cômoda que “ninguém mais queria” numa “cômoda-ateliê” que passou a ser o seu xodó. Essa postagem a Thalita intitula NADA A PERDER (OU SÍNDROME DA GALINHA D’ANGOLA). “Nada a perder” tinha a cômoda, posta à venda numa garagem; “Síndrome da Galinha d’Angola”, por outro lado, se refere a opção da Thalita pelo tipo de transformação pela qual fez passar a cômoda, pintando-a com bolas coloridas. 


Pois bem. Explicado o título, vamos ao post
Eu cresci sabendo da existência das Galinhas d’Angola, umas galinhas emproadas, na minha visão de criança, como se o fato de serem pintadinhas  garantisse a elas um status que as demais não tinham. Meu pai imitava o canto delas “Tô fraco, tô fraco”, o que me parecia incoerente diante de tanta altivez.

Imagem do Google
Trazidas da África Ocidental pelos colonizadores portugueses, a Galinha d’Angola recebe diferentes nomes no Brasil, dependendo da região em que se encontra. No nordeste mineiro, onde meu irmão morou por alguns anos, a espécie é chamada de Cocar. Ninguém me explicou o porquê desse nome, então inferi que as penas, naturalmente enfeitadas, lembram um cocar indígena e descansei nessa explicação.
Minha cunhada tinha um bando delas na fazenda em que viviam, no Vale do Jequetinhonha. Aliás, é em bando que elas vivem e se locomovem, sob a liderança de uma delas – um grupo para lá de organizado.
Contagiada pela “síndrome”, guardava há algum tempo um pequeno gráfico de uma Galinha d’Angola para ser bordado em ponto cruz. Eu queria um joguinho de panos para a minha cozinha (mesinha, fogão, geladeira, micro) e me lancei à aventura de bordá-las. Foi trabalhoso, pois inventei de intercalar galinhas pretas com bolinhas brancas e brancas com bolas pretas… e bordar as galinhas brancas na etamine branca não foi nada fácil.
Bordado feito, escolhi um tecido preto de bolas brancas para compor o joguinho de cozinha e, embora procurasse um tecido branco de bolas pretas para intercalar – o que não encontrei – acabei achando um tecido com pequenas Galinhas d’Angola (olha a “síndrome”), que acabei por escolher.
Não sei costurar, mas minha mãe é uma artista, então foi ela quem armou os paninhos para mim, contornando-os com viés xadrez:
Não ficou lindo?
Se você quiser aproveitar a ideia, devo dizer que acredito que a mistura de tecidos preto e branco e bolinhas em vice-versa daria um efeito final mais bonito que o que obtive com o meu tecidinho de galinhas emproadas, muito embora o resultado tenha me deixado bastante feliz.
O gráfico, se você for bordar, é este:
Para o bordado usei meadas de Linha Mouliné Anchor, 100% algodão.  Ao final da página há um link da Clikfios, uma loja de materiais para artesanato que tem de tudo. Vale dar uma espiadinha lá…
Uma última foto:
Na entrada da minha cozinha um móbile de Galinhas d’Angola pintados em MDF pela minha mãe e armado por mim:
Abração! Muito bom ter você aqui 😉



28 thoughts on “Síndrome da Galinha d’Angola”

  • Oi, Ana,
    pode me chamar de Ju, sim. Algumas de minhas primas me chamam assim.
    O ponto cruz me acalma… aquela coisa de ficar mentalmente contando os pontos, sabe? Vc já não faz?
    Fico feliz que tenha gostado das minhas "Tô fraco"… rs
    Obrigada pela visita e pelo carinho. Bom fim de semana. Aqui está chovendo a cântaros… vontade de não sair da cama!… rs

  • Fabiana,
    vc imaginou que eu só soubesse literatura? rsrs
    A Adélia Prado diz: "mulher é desdobrável: eu sou" e a Cecília Meireles: "tenho fases, como a lua".
    Eu sou como essas mulheres incríveis que se desdobram em facetas… convencida!!!! rsrs
    Abraço!

  • Fico feliz por contribuir com a coleção das galinhas lindezas… não sei se foi um amor herdado ou adquirido naturalmente, mas o fato é que amoooo esses bichinhos e tô com a Síndrome tb! rs..
    A propósito, "viagens ótimas".. rs
    Ficou lindo o post! Bençoi

  • Oi, Jussara!

    Fico envergonhada lendo seus posts. Como você é prendada!! Eu, que de prendada não tenho nada, só fico babando nas produções…E, o pior, é que não tenho nenhum interesse por culinária, bordados, crochês,tricôs, etc.etc…Ainda bem que a literatura me salva..rs..
    Bjo!
    Keilla

  • Oi, Mirella,
    ponha a vontade em ação, menina… deixei lá o gráfico… aproveita as férias e borde uma ou duas galinhas… se não virar um joguinho… vira um pano de prato, um paninho para cobrir bolo. E é uma delícia saber que foi a gente que fez!
    Abraço!

  • Keilla,
    a Fabiana, ex-aluna também, de Alterosa (2º comentário deste post) comenta o fato de eu ser "prendada". Agora vc tb!… rs
    Eu sempre gostei de decoração, jardinagem, artesanato, embora por muitos anos tenha sido apenas a literatura a minha salvação. Ela ainda é – talvez a principal delas – mas Deus foi gracioso para comigo e deu-me tempo para me dedicar também às outras artes… Agora vc não tem interesse nem tempo para isso, mas enqto cuida de sua carreira… vá olhando em volta… estou certa de que vai descobrir algum interesse que pode ser últil em algum momento… Abraço!

  • JU ,gostei imenso da síndrome da Galinha d 'ANGOLA. REALMENTE VC NÃO TEM PAR. TUDO LINDO! ! ! VALE TAMBÉM PRA SUA MÃE , QUE É DEVERAS UMA ARTISTA.
    GOSTO DA LEVEZA DO SEU TEXTO , sem afetação… ao falar de um objeto simples , vc o transforma em exuberância….
    FELIZ SEMANA
    Zélia

  • Zélia,
    Vc diz que gosta da leveza do meu texto… Que delícia!… Acho que no texto consigo a leveza que queria conseguir na vida… rs
    Obrigada pelos elogios, especialmente aqueles destinados à minha mãe que, como sempre digo, tem mãos de fada – é mesmo uma artista.
    Grande abraço!

  • Olá, Sidnei,
    concordo com vc qto a lindeza do pensamento de Adélia e Cecília – um entendimento do feminino e uma delicadeza para expressá-lo que só dom de Deus e mto talento! Tanto que elas, sem me conhecerem, me explicam: meus desdobramentos, minhas fases… E o comentário da Zélia? Perfeito, né?
    Fico feliz com seu olhar atento sobre esse blog que tem sido como um filho caçula meu, a quem encho de mimos e cuidados…
    Abraços!

  • Jussara, que linguajar descontraído, jovial, como sempre 'gostoso de se ler', dando vida a um tema que poderia ser, simplesmente 'simples', se não fosse você a lhe dar uma roupagem especial: lembrança, cultura, até receita de uma prenda tão esquecida: a de bordar! e as fotos em que você deu 'destaque' às, já posudas por natureza, galinhas d'angola… Só você! gostei mesmo!!A simplicidade que nos leva a paisagens rurais, à vida tranquila de pequenas cidades em que ainda se pode sentir o gosto da amizade partilhada, com uma xícara de café…

  • Parabens pelo blog! è inteligente, atual e dinâmico! E em especial este texto me trouxe lembranças da infancia e recentemente da luta para conseguir um bando de galinhas dangolas, no terreiro do sítio. Agora elas estão lá ,só pelo prazer de olhar e escutar!

  • Maria, obrigada! Seu comentário elogioso me deixou tão feliz!
    E que delícia ter um sítio para espalhar um bando de galinhas d'Angola! Um privilégio esse prazer de olhar e escutar.
    Volte mais vezes. Será sempre um prazer recebê-la.
    Abraço!

  • AI, QUE LINDOS ESSES ARTESANATOS DA TUA MÃE, JUSSARA, QUE PRIMOR!! ADORO GALINHAS D'ANGOLA TAMBÉM, ALIÁS, ADORO GALINHAS. NÃO PARA COMER, ISSO JAMAIS!! AQUI EM CASA, SÓ UTILIZAMOS OS OVOS, DESDE QUE ME CONHEÇO POR GENTE, SEMPRE CRIEI GALINHAS, POUCAS CABEÇAS, MAS SEMPRE CRIEI. PUXEI MINHA BISAVÓ. ELA TAMBÉM ERA MINEIRA E ADORAVA ISSO!! KKK ELAS SÃO MUITO INTELIGENTES E TEM UMA PERSONALIDADE BEM DEFINIDA. OU SÃO AMÁVEIS DEMAIS, OU SÃO BIRRENTAS DEMAIS. PROTEGEM SEUS FILHOS COMO NINGUÉM!! E, QUANDO EM SUA RAZÃO, BRIGAM MUITO BEM, ATÉ COM O PRÓPRIO GALO, SE NECESSÁRIO FOR…
    QUANTO AI LINK NO MEU BLOG, É O MÍNIMO QUE POSSO FAZER A TODAS VOCÊS QUE PERDEM UM BOCADINHO DO SEU TEMPO PRA APRECIAR AQUILO QUE EU FAÇO. É HUMILDE, MAS É DE CORAÇÃO, UAI!!
    ABRAÇÃO PROCÊ E INTÉ MAIS VÊ!!

  • Gostei muito de tudo que vi, me encantei com o seu bordado e as costura e pinturas da sua mãe, mas confesso que embora sofra da tal síndrome, nunca tinha visto a foto da galinha "galinha verdadeira"!!!!
    Ela é pintadinha mesmo!!!
    Amei sua postagem!!!
    Amei tbm aquela galinha da sua cozinha,que está no chão, parece de cabaça…maravilhosa!!!

  • Carmen,
    que feliz que fiquei com sua visita! A galinha é de cabaça, sim. E você precisa conhecer as galinhas d'Angola pessoalmente… elas são pintadinhas mesmo, coisas lindas de Deus".
    Vou visitá-la também e espero que possamos trocar boas ideias nesse universo admirável dos blogs.
    Abraço!

  • Essa síndrome em preto e branco é muito decorativa e as galinhas são lindas. Bonito o seu trabalho. Certas peças, mesmo inúteis, nos encantam: eu gosto muito, por exemplo, daqueles galinhos de Barcelos, lá de Portugal. Abraços.

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