Montanhas saídas de um pincel

quinta-feira, dezembro 01, 2011 Jussara Neves Rezende 14 Comments

  


Eu amo montanhas! Repito-me, mas avisei que voltaria ao tema, desta vez para apresentá-las sob a forma das pinceladas de um artista que descobri recentemente, mas que já me encanta pelo olhar com que percorre a paisagem e pelas tonalidades que usa – a sugerir as diferentes plantações que se esgueiram pelas encostas formando uma gigantesca colcha de retalhos estendida sobre a terra. Não é essa mesma a impressão que se tem ao viajar por estradas ladeadas de montanhas?
   
Ao capturar as cores das montanhas e transformá-las nessa colcha artesanal, Theo Amaral revela a profundidade do horizonte que divisa, sua amplidão e suas possibilidades. Simultaneamente, traz para perto do expectador da sua arte os segredos escondidos nos grotões e a sugestão de nascentes, num jogo de perto/longe, alto e baixo, que tem tudo a ver com o simbolismo múltiplo da montanha.
   
Segundo Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (Dicionário de Símbolos, RJ, José Olympio, 1995, p.616) tal simbolismo prende-se à altura e ao centro. Na medida em que ela é alta, vertical, elevada, próxima do céu, participa do simbolismo da transcendência; na medida em que se fixa na terra, exprime noções de estabilidade e imutabilidade, tornando-se símbolo do local de encontro da terra e do céu, morada dos deuses e objetivo da ascensão humana.
   
Se o “horizonte é vasto”, diz Theo Amaral, artista plástico mineiro, “em contrapartida tem-se a impressão de que tudo não passa de uma grande tela” a fundir a noção do distante (“a perder de vista”) e do “tão próximo, a arrebatar o olhar”.
   
Por acreditar como Guimarães Rosa (outro mineiro) que “Minas são muitas”, Theo Amaral se lança na aventura de criar uma série de 21 pinturas que “reverenciam as montanhas de Minas, suas nuances, desdobramentos, volumes...”. Diz o artista:

Pinturas abrigam o encanto do artifício, imagens desdobradas, repetidas, trazendo-nos o equívoco do princípio e do fim. Essa poética permite sustentar estes espaços, “cenários-miragens”, instigando o espectador a apronfundar-se mais frente à vastidão que cerceia estas paragens. O olhar percorre a paisagem e as imagens deslocam-se para o interior das telas... O poético destas imagens imerge da consciência como um produto direto da alma; de um homem tomado em sua totalidade e em sua imensa pequenez perante o mundo.


Para nos encantar os olhos, Theo Amaral cedeu-me 3 de suas telas da série “Montanhas de Minas”. Reproduzo-as abaixo num convite a você, leitor(a), para visitar o portfólio do artista em seu blog:



Paisagem II



Paisagem VII

Paisagem IX




Não é lindo o trabalho do Theo? Montanhas não são tudo de bom?

Abraços!

14 comentários:

  1. Nossa Muito Lindo o trabalho dele! Adorei!!
    Amo as Montanhas de Minas!!
    AH... E SEU FILHOS TB ESTÃO LINDOS NAS FOTOS VIU?
    Bjos,
    Ana

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  2. Que bom que vc gostou, Ana!
    Tem acompanhado minhas postagens?
    Divulgue, por favor, para o seu pessoal.
    Obrigada pelo elogio pros filhotes... Fico super convencida! rs
    Bjo!

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  3. Que bom, Susi! Fico feliz. Vc mostra sempre tantas coisas lindas que se gostar de um só dos meus posts já me alegro. Abraço!

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  4. Gostei das montanhas do Theo, mas mais ainda de ler o que vc escreve...É uma delícia a sua escrita! Bjs
    Aline

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  5. Obrigada, Aline! Tão bom saber que pensa assim!
    Venha sempre... fico feliz! Saudade...

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  6. Faço das palavaras da Aline as minhas palavras e as ofereço novamente a você.
    Sidnei

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  7. Oi amiga Ju, eu tbem amo montanhas, tenho vontade de passar férias numa casa ao meio das montanhas, que vida de poeta rsrsrsr. Falando em poesia, gostei muito do que vc escreveu.

    Td muuito lindo.

    Abraço.

    Rosa.

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  8. Que cavalheiresco, Sidinei, adorei!
    Que bom que gostam do meu texto!
    Abraço!

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  9. Oi, Rosa, então vc tb gosta de montanhas? Coisa boooaaa. Montanhas são coisas de Deus, lindas demais! Além disso, fiquei muito contente que vc tenha considerado poéticas as minhas palavras mesmo eu escrevendo em prosa... Abraço!

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  10. Gostoso ler teus escritos. Gostoso como as montanhas de minas, os pães de queijo e o café da vovó... Da forma como faz, dá pra fechar os olhos e imaginar os cenários.
    Beijo grande pra ti.
    Obrigado pelo carinho.
    Inté.

    Theo.

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  11. Que bom, Theo, que gostou dos meus escritos. Para falar de suas montanhas eu tinha a grande responsabilidade de fazer um texto atraente, que não ficasse muito aquém de sua pintura. Fico feliz por saber de você que que consegui.
    Obrigada pela confiança.
    Abraço!

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  12. JU,
    como amantes das montanhas que somos, é reconfortante nos deleitarmos nas imagens capturadas pelo artista e também pelas palavras que as acompanham neste blog.
    Um sentimento de vastidão no peito.
    Abraço
    Claudia

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  13. Clau,
    que delícia encontrar um comentário seu aqui, sua sumida! Sim... acho que as montanhas provocam mesmo esse sentimento de vastidão... Bom poder ajudar a captá-lo... ;)
    Abraço!

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