A deliciosa sensação de começar de novo, de passar a limpo, de fazer melhor desta vez

A deliciosa sensação de começar de novo, de passar a limpo, de fazer melhor desta vez

Eu
não sou supersticiosa. Não me preocupo em usar branco ou prata na passagem do
ano, nem com as simbologias das outras cores. Na verdade não creio que uma
calcinha nova, de cor específica, tenha o poder de atrair a paixão, ou o amor,
ou a saúde, ou o que quer que seja. Não acredito que engolir determinada
quantidade de grãos me garantirá mais ou menos dinheiro, nem que pular certo
número de ondas ou atirar flores ao mar irá me assegurar qualquer espécie de
bem. Eu creio em Deus e entreguei a Ele o controle da minha vida. Assim sendo,
minhas circunstâncias são por Ele dirigidas e posso ter paz mesmo em meio a
certas tormentas da vida. É nisso que creio, embora às vezes queira tomar as rédeas
de uma ou outra situação e resolver do meu jeito – e logo – aquilo que – parece
– Deus está demorando tanto para observar. Claro que acabo metendo os pés pelas
mãos, mas justamente por isso posso compreender perfeitamente quem se preocupa
com as ondas, com os grãos e com as cores. Compreendo porque sei o quanto são
vastos espaço e tempo e o quanto de ansiedade pode provocar o não saber o que
vai acontecer no próximo minuto. Deve ter sido por isso que os homens dividiram
o tempo em horas, dias, meses e anos. Para se organizarem nele e obterem a
confortável sensação de estar no controle de alguma coisa. Assim sendo, fazemos
planos para o dia seguinte, para a próxima semana, para o ano que vem. E é tão
bom! Eu sou a rainha das listas – porque tenho mania de organização – e amo
poder riscar numa listinha o que já foi feito, resolvido, arrumado. Também
tenho minhas listas de desejos para o que virá. Como a Emma Morley, personagem
de Um dia, de David Nicholls, penso que devo ser 

corajosa e ousada e realizar alguma coisa… Não exatamente mudar o mundo, só um pouco à minha volta… Trabalhar duro em… alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Escrever coisas bonitas. Agradar aos amigos, continuar fiel aos meus princípios, viver plenamente, bem e com paixão. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se possível. Comer com moderação, coisas assim…
A
virada do ano permite esses planos, pois nos confere a deliciosa sensação de
começar de novo, de passar a limpo, de fazer melhor desta vez.

Em
um poema do Minas de mim (o livro),
falo mais ou menos sobre isso em relação à paixão, ao momento que antecede o
que virá. Batizei o poema de “Limbo”, justamente pela incerteza de que ele
trata:

Delícia de instante
que antecede
o que talvez aconteça:
sangue que flui mais rápido,
adrenalina,
brilho no olhar.
Não troco pela certeza
do depois
seja ele qual for.
Espera feita de encanto
e doçura – do que não é
mas bem pode ser.

Percebe? Hoje é o último dia do ano. Amanhã, o primeiro
dia do resto de nossas vidas. É ou não é muita ansiedade para conter? Receio
que sim. Por isso entendo a nota de dólar (ou euro?) na carteira, a sopa de
lentilha, as mãos dadas, os abraços, o beijo enquanto fogos explodem em cor.
Todos querem garantir – da melhor forma que entendem – essa entrada num
espaço/tempo ainda não inaugurado.

Que se desfolhem, se necessário, os malmequeres…
que sejam lidas as mensagens do biscoito chinês ou do realejo, mas como diz a
canção eternizada na voz da Simone:

Como será o amanhã?
Responda quem puder…
O que irá me acontecer?
O meu destino será como Deus quiser!
Abraço! Até o ANO QUE VEM!


22 thoughts on “A deliciosa sensação de começar de novo, de passar a limpo, de fazer melhor desta vez”

  • oi Ju, bom dia!

    Maravilhoso teu texto!!!
    olha, também não sou surpesticiosa. Ri qdo no dia do natal minha filha já falou que precisava de uma blusa branca pra virada. Mas mesmo assim fiz a vontade dela. Acho que é coisa de comercio mesmo.Mas é divertido o importante é curtir a festa de acordo com o que podemos, com consciência.
    vamos sonhar muito com um 2012 maravilhoso, cheio de coisas boas!!!!!

    bjua amiga

  • Que possamos viver 2012 pensando que a condição da sobrevivência é a felicidade, o Amor e Respeito!
    Que nesse ano, seja derramado uma chuva de bênçãos!
    Um abençoado ano novo!
    Desejo um ano cheio de renovações…
    Feliz dois mil e doces…

  • Jussara, todos esses rituais são esperanças das pessoas em serem felizes, em conseguir coisas, chamar a atenção. Não sei se funcionam ou não, mas na dúvida, não custa fazer alguma coisa.
    Tbm creio que Deus é acima de todos esses rituais e que devemos fazer sempre, todos os dias, o nosso ritual, nossa oração de agradecimento e procurar viver da melhor forma possível.

    Que vc, junto com sua família, tenha um ano abençoado e cheio de sonhos a realizar. Vá em busca deles!

    Beijosssss

  • Oi, Ana,
    que bom compartilhar com vc meu texto!Concordo que acaba por ser tudo muito divertido; e emocionante – todos juntos entrando num tempo ainda não experimentado.
    Concordo também sobre focar o pensamento num ano maravilhoso, bom para todos nós!
    Abraço!

  • Um trecho do seu texto lembrou-me um trecho da Origem da Tragédia:
    "O ditirambo distingue-se por isso essencialmente de qualquer outro coro. As virgens que avançam solenemente com ramos de loureiro nas mãos, para o templo de Apolo e cantam hinos, conservam as suas personalidades e os seus nomes; o coro ditirâmbico é um coro de pessoas transformadas que perderam totalmente a lembrança do passado familiar e da situação social. Transformaram-se em escravos de um Deus, vivem fora do tempo e do espaço". (NIETZSCHE, 2004, p. 57)

    NIETZSCHE, Friedrich. Die Geburt der Tragödie, Aus dem Geiste des Musik. São Paulo: Centauro, 2004.

    Enquanto o ritual para melhorar as economias acontece, para muitos esses dias serão de reconstrução do que foi destruído, não somente pelas chuvas, mas pela incompetência de nossos representantes, pela falta de educação de um povo que já não a recebe há muito, e por isso enche nossos cursos d'água de lixo… Feliz 2012 para você e sua família!

  • Marlon,
    meu texto a suscitar lembranças de um texto de Nietzsche? Chique demais, meu Deus! Mas a verdade é que depois que vc transcreveu o fragmento achei tb que tem a ver… todos avançando solenemente ao som de hinos em busca desse novo tempo…
    Seríssima essa questão da educação e dos nossos representantes – que são os que lá estão porque a educação do povo já não existe – mas já reparou que a gde mídia prefere não falar sobre isso em épocas de festa?
    Obrigada!Que o novo ano seja feliz para todos nós!
    Abraço!

  • Lorena,
    se todos vivêssemos, como vc sugere, a pensar "que a condição da sobrevivência é a felicidade, o Amor e Respeito", teríamos certamente um ano "novo em folha", diferente, à espera de ser inaugurado.
    Obrigada pela visita e pela doçura que vc espalha por aqui.
    Feliz dois mil e doces pra vc tb! 😉

  • Foi uma grande honra ter estado junto com você em 2011,
    desejo muitas bênçãos para você e sua família.
    Que possamos entrar nesse ano de 2012 com amor, paz, saúde, muitas
    bênçãos de Deus em nossas vidas e no Mundo.
    Que neste em 2012, possamos compartilhar muitas alegrias,
    e inúmeras esperanças.
    Muitas são as promessas que fazemos, muitas são as esperanças
    que temos.. desejo a você realização dos seus sonhos e ideais .
    Um Feliz Ano Novo.
    Que 2012 seja o começo da paz no Mundo .
    Beijos no coração meu eterno agradecimento a Deus
    por estar aqui compartilhando contigo mais um ..Ano Novo.
    Beijos e Beijos.
    Evanir….

  • Perfeitas suas observações. Acho que desde o tempo das cavernas o homem tem a mania de carregar e acreditar em amuletos. Isto remonta à época pagã. É nossa herança de tempos imemoriais. Porém, acho que o novo, o incerto, o desconhecido, provocam tanta insegurança nas pessoas que elas se armam de artifícios para que, pelo menos, se sintam protegidas para o que está por vir.
    Feliz 2012.

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