Andre Kokn, pintor da chuva


Criado num ambiente que mesclou cultura e talento, o artista plástico russo, Andre Kokn, é hoje um dos pintores mais colecionados do impressionismo figurativo na cena artística norte-americana.
Sua mãe, uma violinista sinfônica, e seu pai, um notável linguista, escritor e escultor, garantiram-lhe acesso irrestrito a todas as artes criativas.
Kokn recorda-se que sua infância foi pobre de bens materiais, mas lhe ensinou que a arte é a única riqueza verdadeira. Sua memória de infância é a de que "música e arte estavam em toda parte”.
Estudou arte em Moscou e recebeu convites para exposições na Europa para onde ainda hoje viaja, eventualmente, para se inspirar e continuar seus estudos. Mora no Arizona e é representado pelas principais galerias de arte dos Estados Unidos.
O que ele procura com sua arte? A sua própria “interpretação poética do mundo”, diz ele que tem especial predileção pelo tema da chuva – tema que também amo e que foi, justamente, o que me levou a descobrir esse artista.
Observe, nas imagens, abaixo, as variações sobre o mesmo assunto que ele executa magistralmente. Há inclinações no guarda-chuva, no movimento das pernas, mudanças no comprimento do vestido, mas permanecem as cores branca e vermelha, mesmo quando o guarda-chuva é substituído por um chapéu (na última foto):











Gosto de todas as telas,  nas quais percebo muita poesia, mas especialmente da primeira, na qual  a posição do joelho sugere uma determinação que nenhuma chuva é capaz de impedir. 
Com essa determinação se casa a paixão expressa pela cor vermelha e que o contraste com o branco faz destacar.

Crédito das imagens: aqui
Fonte de pesquisa: aqui

Beijo&Carinho,

Jussara


Somatória - poema de Jussara N Rezende




SOMATÓRIA


Se somadas as noites
darão um mês?
Quem fez supor
que o tempo e seu açoite
bons matemáticos seriam
da emoção?

Da intensidade vivida
na noturna nudez
devem entender as estrelas
que,
esvaídas
em centelhas
no espaço sem fim,
fins
e princípios vislumbram,
deslumbram
registros de tempo
e,
imersas na própria mudez,
intensas
permanecem.


Jussara Neves Rezende




Beijo&Carinho
Imagem: Google Imagens

Chove - poema de Jussara N Rezende



Beijo&Carinho,

Jussara

A Canção do exílio em nova versão e um poeminha de Jussara N Rezende



O poema “Canção do exílio” (1843), de Gonçalves Dias, talvez seja o texto mais parodiado de nossa literatura:

“Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.”

O fato de os versos redondilhos (de 7 sílabas métricas) serem naturalmente sonoros e cadenciados e convidarem à declamação, bem como a presença de rimas oxítonas (“lá”, “cá” e “sabiá”) são, certamente, as razões mais evidentes para que tenha o poema caído no agrado público.
Assim, ao longo do tempo, mas especialmente após o advento do Modernismo (o poema de Gonçalves Dias pertence ao período do Romantismo), foi o poema retomado em inúmeros outros poemas. Os fragmentos abaixo se sobressaem entre centenas de outros, de poetas menos conhecidos, todos a resgatarem, sob algum viés, os versos de Gonçalves Dias:
  • “Se eu tenho de morrer na flor dos anos/ Meu Deus! Não seja já;/ Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,/ Cantar o sabiá!” (“Canção do exílio”, de Casimiro de’ Abreu);
  • “Minha terra tem palmares/ Onde gorjeia o mar...” (“Canto de regresso à Pátria”, de Oswald de Andrade);
  • “Minha terra tem macieiras da Califórnia/ onde cantam gaturanos de Veneza” (Canção do exílio”, de Murilo Mendes);
  • “Meus olhos brasileiros se fecham saudosos./ Minha boca procura a “Canção do exílio”./ Como era mesmo a “Canção do exílio”?/ Eu tão esquecido de minha terra.../ Ai terra que tem palmeiras/ onde canta o sabiá.” (“Europa, França e Bahia”, de Carlos Drummond de Andrade);
  • “Um sabiá/ na palmeira, longe.// Estas aves cantam um outro canto...” (“Nova canção do exílio”, de Carlos Drummond de Andrade);
  • “Agora chamarei a amiga cotovia/ E pedirei que peça ao rouxinol do dia/ Que peça ao sabiá/ Para levar-te presto este avigrama:/ “Pátria minha, saudades de quem te ama...” (“Pátria minha”, de Vinícius de Moraes);
  • “Minha amada tem palmeiras/ Onde cantam passarinhos/ e as aves que ali gorjeiam/em seus seios fazem ninhos” (“Nova canção do exílio”, de Ferreira Gullar);
  • “Minha terra não tem palmeiras.../ E em vez de um mero sabiá,/
  • Cantam aves invisíveis/ Nas palmeiras que não há.” (“Uma Canção”, de Mário Quintana);
  • “lá/ ah!/ sabiá.../ papá.../ maná.../ sofá.../ sinhá.../ cá?/ bah!” (“Canção do exílio facilitada”, de José Paulo Paes);
  • “Vou voltar/ Sei que ainda vou voltar/ Para o meu lugar/ Foi lá e é ainda lá/ Que eu hei de ouvir cantar/ Um sabiá” (“Sabiá”, de Chico Buarque de Hollanda);
  • “Sonhada terra das palmeiras/ Onde andará teu sabiá?/ Terá ferido alguma asa?/ Terá parado de cantar?” (“Terra das palmeiras”, de Taiguara);
  • “Minha Dinda tem cascatas/ Onde canta o curió/ Não permita Deus que eu tenha/ De voltar pra Maceió./ Minha Dinda tem coqueiros/ Da Ilha de Marajó/ As aves, aqui, gorjeiam/ Não fazem cocoricó.” (“Canção do exílio às avessas”, de Jô Soares);
  • “Minha terra tem Palmeiras,/ Corínthians e outros times...” (“Outra canção do exílio”, de Eduardo Alves da Costa);
  • “Minha terra não tem palmeiras/ E nem sabiá a cantar/ As aves que aqui gorjeavam/ já foram para outro lugar.” (“Canção do exílio”, de Raquel Maythenand);
  • “Minha terra tem castanheiras, ouço o bugio e o curió/ Nas estradas tem atoleiros, no verão levanta pó...” (“Canção do martírio”, de Daniel Chaves).

Entre estes poemas ilustres hoje se junta o “A minha terra”, de Fernando Moura Peixoto:






O interessante nas paródias é a retomada dos versos ufanistas de nosso poeta romântico numa perspectiva crítica, como se pode perceber no poema de Fernando Moura Peixoto.

As fotografias do Cristo Redendor são, também, de autoria de Fernando (feitas da janela de seu apartamento, em Botafogo) que é jornalista, fotógrafo e historiador e, ao falar de “sua terra”, fala do Rio de Janeiro nos dias atuais.  Ao comentar a primeira imagem acabei por compor um poeminha que, agora, casado à imagem, apresento aqui:


E com ele me despeço... até o ano que vem!

Beijo&Carinho,

Jussara