Somatória - poema de Jussara N Rezende




SOMATÓRIA


Se somadas as noites
darão um mês?
Quem fez supor
que o tempo e seu açoite
bons matemáticos seriam
da emoção?

Da intensidade vivida
na noturna nudez
devem entender as estrelas
que,
esvaídas
em centelhas
no espaço sem fim,
fins
e princípios vislumbram,
deslumbram
registros de tempo
e,
imersas na própria mudez,
intensas
permanecem.


Jussara Neves Rezende




Beijo&Carinho
Imagem: Google Imagens

Chove - poema de Jussara N Rezende



Beijo&Carinho,

Jussara

A Canção do exílio em nova versão e um poeminha de Jussara N Rezende



O poema “Canção do exílio” (1843), de Gonçalves Dias, talvez seja o texto mais parodiado de nossa literatura:

“Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.”

O fato de os versos redondilhos (de 7 sílabas métricas) serem naturalmente sonoros e cadenciados e convidarem à declamação, bem como a presença de rimas oxítonas (“lá”, “cá” e “sabiá”) são, certamente, as razões mais evidentes para que tenha o poema caído no agrado público.
Assim, ao longo do tempo, mas especialmente após o advento do Modernismo (o poema de Gonçalves Dias pertence ao período do Romantismo), foi o poema retomado em inúmeros outros poemas. Os fragmentos abaixo se sobressaem entre centenas de outros, de poetas menos conhecidos, todos a resgatarem, sob algum viés, os versos de Gonçalves Dias:
  • “Se eu tenho de morrer na flor dos anos/ Meu Deus! Não seja já;/ Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,/ Cantar o sabiá!” (“Canção do exílio”, de Casimiro de’ Abreu);
  • “Minha terra tem palmares/ Onde gorjeia o mar...” (“Canto de regresso à Pátria”, de Oswald de Andrade);
  • “Minha terra tem macieiras da Califórnia/ onde cantam gaturanos de Veneza” (Canção do exílio”, de Murilo Mendes);
  • “Meus olhos brasileiros se fecham saudosos./ Minha boca procura a “Canção do exílio”./ Como era mesmo a “Canção do exílio”?/ Eu tão esquecido de minha terra.../ Ai terra que tem palmeiras/ onde canta o sabiá.” (“Europa, França e Bahia”, de Carlos Drummond de Andrade);
  • “Um sabiá/ na palmeira, longe.// Estas aves cantam um outro canto...” (“Nova canção do exílio”, de Carlos Drummond de Andrade);
  • “Agora chamarei a amiga cotovia/ E pedirei que peça ao rouxinol do dia/ Que peça ao sabiá/ Para levar-te presto este avigrama:/ “Pátria minha, saudades de quem te ama...” (“Pátria minha”, de Vinícius de Moraes);
  • “Minha amada tem palmeiras/ Onde cantam passarinhos/ e as aves que ali gorjeiam/em seus seios fazem ninhos” (“Nova canção do exílio”, de Ferreira Gullar);
  • “Minha terra não tem palmeiras.../ E em vez de um mero sabiá,/
  • Cantam aves invisíveis/ Nas palmeiras que não há.” (“Uma Canção”, de Mário Quintana);
  • “lá/ ah!/ sabiá.../ papá.../ maná.../ sofá.../ sinhá.../ cá?/ bah!” (“Canção do exílio facilitada”, de José Paulo Paes);
  • “Vou voltar/ Sei que ainda vou voltar/ Para o meu lugar/ Foi lá e é ainda lá/ Que eu hei de ouvir cantar/ Um sabiá” (“Sabiá”, de Chico Buarque de Hollanda);
  • “Sonhada terra das palmeiras/ Onde andará teu sabiá?/ Terá ferido alguma asa?/ Terá parado de cantar?” (“Terra das palmeiras”, de Taiguara);
  • “Minha Dinda tem cascatas/ Onde canta o curió/ Não permita Deus que eu tenha/ De voltar pra Maceió./ Minha Dinda tem coqueiros/ Da Ilha de Marajó/ As aves, aqui, gorjeiam/ Não fazem cocoricó.” (“Canção do exílio às avessas”, de Jô Soares);
  • “Minha terra tem Palmeiras,/ Corínthians e outros times...” (“Outra canção do exílio”, de Eduardo Alves da Costa);
  • “Minha terra não tem palmeiras/ E nem sabiá a cantar/ As aves que aqui gorjeavam/ já foram para outro lugar.” (“Canção do exílio”, de Raquel Maythenand);
  • “Minha terra tem castanheiras, ouço o bugio e o curió/ Nas estradas tem atoleiros, no verão levanta pó...” (“Canção do martírio”, de Daniel Chaves).

Entre estes poemas ilustres hoje se junta o “A minha terra”, de Fernando Moura Peixoto:






O interessante nas paródias é a retomada dos versos ufanistas de nosso poeta romântico numa perspectiva crítica, como se pode perceber no poema de Fernando Moura Peixoto.

As fotografias do Cristo Redendor são, também, de autoria de Fernando (feitas da janela de seu apartamento, em Botafogo) que é jornalista, fotógrafo e historiador e, ao falar de “sua terra”, fala do Rio de Janeiro nos dias atuais.  Ao comentar a primeira imagem acabei por compor um poeminha que, agora, casado à imagem, apresento aqui:


E com ele me despeço... até o ano que vem!

Beijo&Carinho,

Jussara

A verdadeira história do Natal



Embora ela estivesse prestes a dar à luz, eles se puseram a caminho de Belém porque um decreto exigia que todos os cidadãos se cadastrassem em sua cidade de origem.
Era noite e Maria já sentia as dores do parto, mas a cidade estava cheia de peregrinos e o casal não encontrou quarto disponível na estalagem. O dono do lugar, condoído pela situação de Maria, ofereceu-lhes a estrebaria para passarem a noite. Ali, em meio aos animais pertencentes aos hóspedes da estalagem, Jesus nasceu. Sua mãe o envolveu em panos e o colocou numa manjedoura.
Maria devia ser muito jovem, pois embora estivesse casada com José eles ainda não haviam mantido relações sexuais. Aquela gravidez era um mistério divino e fora anunciada a ela por um anjo. Ela se assustara, mas ouvida a explicação do anjo, rendera-se à vontade de Deus.
Ao perceber a gravidez de Maria, seu marido pensara em abandoná-la; advertido, porém, em sonhos, para que não o fizesse, pois o que nela estava a ser gerado era fruto do Espírito Santo de Deus, José, ao acordar, fez o que o anjo lhe ordenara no sonho e colocou no menino o nome de Jesus – indicação do anjo que apontava a missão com que o menino santo nascia: salvar o povo de seus pecados.
Não, provavelmente não era dezembro. Devia ser verão no hemisfério norte, pois pastores perambulavam à noite com seus rebanhos e testemunharam um coral festivo de anjos e o brilho intenso de certa estrela que iluminava um caminho que resolveram seguir e que acabou levando-os até à estrebaria em que se refugiavam José, Maria e o bebê. 
Sábios do Oriente – estudiosos do céu e de antigas profecias –seguiram também a estrela e levaram presentes para o menino...
 ... a história continua... e é linda! Parece fábula, invenção? Mas não é. O menino marcou tão fortemente a História que a dividiu em antes e depois Dele e o mundo pára a fim de comemorar a data escolhida como a de seu nascimento.
Deve ser triste para quem não crê comemorar uma data na qual não vê sentido. Deve ser triste comemorar uma data sem saber bem o que se comemora.  Por isso, entre os símbolos natalinos, gosto muito do presépio, que retoma essa história (a palavra presépio a significar, segundo o Aurélio, a estrebaria em que Jesus nasceu) e penso que ela deve ser contada aos nossos filhos (e netos) antes que para eles o Natal passe a significar apenas uma data para ganhar presentes.
A troca de presentes só tem sentido como extensão da felicidade de quem se reconhece salvo do pecado (e da morte eterna) através do sacrifício que anos mais tarde o homem Jesus faria ao morrer, sem culpa, no lugar em que deveriam morrer os pecadores como eu.
Parece muita ficção para você? Eu o(a) respeito, mas em nome da coerência, por favor, não comemore o Natal, pois é exatamente dessa história que ele trata. 
Parece um conto de fadas (no caso, de anjos)? Pois eu creio nele de todo coração e, menino, esse coração se alegra com a história e com as figurinhas dos presépios.
Jesus talvez pensasse nos céticos – que pensariam ser invenção a Sua história – quando disse que é preciso ser como criança para entrar no reino de Deus (Marcos 10:15).
Por isso eu desejo – com o meu coração menino – que o seu Natal seja verdadeiro e que – como criança – você simplesmente creia! 

Beijo&Carinho,

Jussara

Créditos das imagens e mais presépios encantadores, você encontra no meu painel "Preciosos presépios", no Pinterest, aqui.
Quer ler por si mesmo(a) a história? Ela está registrada na Bíblia em: Mateus 1:18-25; Mateus 2:1-21; Lucas 1:5-56; Lucas 2:1-20.