Roupinha de crochê para cães



Lulu é uma Lhasa Apso linda e doce. Nunca latiu na vida; o máximo que fez foi esboçar algum rosnado, mas está sempre alegre e disposta a correr atrás de qualquer uma de suas muitas bolinhas.
No verão ela só falta pedir uma tosa – para quem não sabe, trata-se de uma raça de pelos longos – mas quando o tempo esfria ela gosta mesmo é de um aconchego. Quem não, não é verdade?



Para lhe fazer um agrado, emendei alguns quadradinhos de crochê e criei uma roupinha estilosa para que ela enfrente o frio. Não sou nenhuma crocheteira “de mão cheia”, então o trabalho nem resultou brilhante, mas ao menos prova que quem se dispõe a fazer acaba por realizar. Faz-se um quadradinho num dia, no outro mais um e de repente há o suficiente para um pequeno retângulo que agasalhará o serzinho que te ama. 
Olhando pra essa carinha não dá para acreditar que ela ficou mesmo agradecida?




Beijo&Carinho,

 Jussara

Tattoo - poema de Jussara Neves Rezende




Beijo&Carinho,

Jussara

Algumas palavras sobre a gênese e evolução dos poemas



O primeiro grau da poesia lírica, segundo Fernando Pessoa, é aquele em que o poeta, concentrado em seu sentimento, escreve sobre esse sentimento. Quanto mais fiel for o poeta às nuances desse sentimento, entretanto, mais referencial será sua linguagem e, consequentemente,  menos poética. Por outro lado, quanto mais o poeta trabalhar sua linguagem através do ritmo, da rima, da métrica, de imagens e sinestesias, mais distanciada ela ficará da linguagem comum e mais poética terá se tornado.
A opção pela valorização do sentimento ou pelo cuidado com a linguagem é que irá determinar o valor (ou não) de seus versos.


Claro que para ser bom o poema deverá conservar uma boa dose do sentimento – a inspiração que o fez nascer – mas aliada ao trabalho poético de escrever, riscar, apagar, escrever de novo e de novo... que é o que de fato caracteriza o trabalho do poeta.
A reunião dos poemas em forma de livro vem como resultado desse trabalho quase infinito de construção/reconstrução e os escritores todos concordam que publicar é um meio de se livrar daquilo que foi escrito, de não precisar nunca mais (nunca mais??????) reescrever aquilo.
Ao poeta, depois de publicados seus versos, “resta a vida e o que nela há”, como digo num poema da página 61 do Breve Lua, meu mais recente livro de poesias.  Nesse soneto, que chamei de “Não virá talvez nunca”, digo nas estrofes finais:

Não chorarei, então, o grande amor
que para mim não veio nem virá.
Meus olhos se encherão de sol e lua

e para mim se abrirá a breve flor.
Simples e plena a vida se fará
e, ao recomeçar, estarei nua.

A imagem da nudez, presente no último verso, além de necessária ao organismo do poema por causa da rima (“nua” rima com “lua”), tem também o sentido de estar o eu-lírico (a voz que fala nos versos) desarmado em relação ao futuro e, simultaneamente, aberto às novas emoções que virão e que podem (ou não) se tornar futuros poemas.
Assim, quando o poeta chega a publicar seus versos, está de certa forma livrando-se deles e da necessidade de eternamente reconstruí-los, mas ao mesmo tempo garantindo-lhes a possibilidade de se enriquecerem com as leituras que a propósito deles serão feitas no tempo dessa publicação e muito tempo mais tarde, quando o próprio poeta já tiver partido deste mundo.

Mais sobre esse assunto: aqui, aqui e aqui.
Para adquirir o livro Breve Lua, clique aqui.
Crédito das imagens, aqui.



Beijo&Carinho,
 Jussara


Da medida da paixão - poema de Jussara Neves Rezende




Em tempos ligeiros os poemas
se encolhem
e escolhem
formas fáceis de viajar...

Com este de hoje inauguro o que pretendo que seja uma publicação semanal de pequenos poemas de minha autoria que têm a intenção de servir para troca entre amigos no Facebook, WhatsApp, Instagram... Irei reuni-los aqui sob a tag (provisória?) “Breves versos” e no Pinterest no painel com o meu nome.
Espero que você aprecie e ajude a divulgar, sim?

Beijo&Carinho,

Jussara